quinta-feira, novembro 16, 2006

Retículos de Felicidade



Lágrimas?
Adequado não tê-las!
Dissimulá-las far-nos-ia gozar
Sobre a areia movediça
Da palavra.

Orgasmos?
Soluçaríamos raros orgasmos?
Bebê-lo-íamos sangue
Que se destempera ressequido
Do lânguido orvalho
Da verdade?

Coçar-se-ia o não coçável?
Ou haver-se-ia de prender as dores em parênteses,
Separando-nos do imponderável?
Ou a excentricidade do machado
Sangrar-se-ia sob a multidesfaçatez
Do vôo do inseto?

(Por quê?)

Lágrimas
São vidas (quantas?) não tidas:
Dependendo da sinceridade da penetração
São farelos de sonhos,
São céus inimagináveis
Desprendendo-se de constelações
De galas e músicas:
Os homens
Ter-se-iam quantas?

Foto: Aldo Marques
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