
Bem dito!
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Bendito o talo
Por ser arqueado e bastardo ejacula o vinho;
Por ser louco e disforme santifica o espinho;
Por abranger todos os sacrifícios pendentes e por saber-se
Crucifixado a uma masmorra de vento quase
Abastece o âmago:
Bendito! Porque é dele a virgindade niquelada
Que nunca se murcha de cansaço;
Porque é dele o destino escorrido que se agarra incompleto,
Ao grude do sereno!
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Bendita a lágrima
Por ser desbastada e inóspita anuncia o inesperado;
Por caber e se entornar ao pranto reinventa o betume;
Por cingir todas as tessituras do ato-falho da fala
E por espremer-se indecorosa dentro de uma bacia de orvalho
Premedita o escândalo:
Bendita! Porque é dela a contextura tornada adúltera;
Porque é dela a saliência menstruada que penetra o ar;
Porque é dela o quefazer de uma enlameada lâmina de incisão,
Ao ermo do sereno!
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Bem dita!
Bendita a dor sem odor,
Porque ela verá a fêmea flor dos desesperados!
Bendito o cravo calcinado asfixiando o gás do desespero,
Porque ele verá o principio ativo das línguas amordaçadas!
Bendita a chama decaindo para o sopro do desespero,
Porque ela verá o vento póstumo das partidas!
Bendito o alimento azeitado na flama ronquidão do desespero,
Porque ele verá o estômago pêco dos vencidos!
Bendita a palavra maquinada no suor afogueado do desespero,
Porque ela verá o flúmen dos poetas!
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Não.
Não há volúpia que menos se afogue
E que aos mortos redivivos seja tão profundo...
Não há expiação que mais se defeque
E que aos poetas seja tão vago-mundo...
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Não.
Não há tessitura que mais se adule
E que aos solstícios seja tão aro-de-venta...
Não há ingenuidade que mais se pule
E que aos taciturnos seja tão virulenta...
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Bendito o que vem do talo!
Bendito o que escorre da lágrima!
Foto: Flickr/Creative Commons

