segunda-feira, janeiro 01, 2007

A boca


Para Adriana Costa, Paula Machado e Georgenor Franco Neto.


Devoro-te –
porque sei da verdade dos deuses;
porque rechaço a imparcialidade das coisas
e porque o sol dos fracos
fode o orvalho desmedidamente.

Devoro-te –
qual pusilânime carne de primeira que
aos poucos se alimenta de mim
(sabe Deus como se deu
o primeiro ato-falho!)...
Imerecido, ouso e mastigo
certos gozares e ossos,
cuja gala mofenta é a que racha o alumínio do peito,
a que desembainha a alma desgalhada
e a que desmistifica o bacio abobalhado.

Devoro-te –
porque hoje é inverno e ainda te desejo.
E não se ponha
(feito diesel copulado)
a me encandear qual barro e saliva
e nem descreia daquilo que desgalo,
porque o amanhã, louco amanhã,
esse, será alimento das guerras inúteis;
e o louco estrume da fala movediça,
esse, não será vítima de si,
muito menos será
automóvel enviuvando famílias.

Devoro-me. Sou gozada de anta
liquefazendo a dor arrependida...
Sou espada de vento
multifacetando a rosácea imaculada -
a boca não!

Foto: Fotografia na Net
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