terça-feira, agosto 19, 2008

Surrealismo com fecho éclair


I

Quantos mais haverão de excitar-me
impondo-me caminhos a crer e como ouvirão,
se não há quem duvide?
Quantos burburinhos e azedos diluir-se-ão na fantasia
em pétalas banais de orquídeas comuns?
Quem há de saciar salientes alimentos,
desnudadas palavras
— surrealismo com fecho éclair —
e rasas penetrações
deslizando sobre o meu mênstruo?
.................................

II

Haverá mais primaveras!
— Eu sei.
Haverá outras expiações...
Esfriarei meu sangue
e fabricarei rendez-vous de vento,
cuja valentia surgirá de dispares âmagos:
ermos calafrios, náuseas fecundas
e gélidas vagem de cara.
.................................

III

Sob o pé do cinzeiro da consciência,
recordo os amigos.
lembro-os de todos,
ora olvidados, ora redivivos.
Tressinto-os
e sinto e canto
em saudade... saudade!
Música, única,
desperdiçada em fronts e perdas
haja vista gozá-la
e lembrar-me do velho violão puído,
asas dos fios da emoção.
.................................

IV

Desfolharei as páginas elétricas
do livro da minha vida.
Reprisarei o replay
da minha verde juventude,
humilde...Sincera!
Tateação dos meus soberbos olhos
para que o papel lacrime pedante
e jugule a mão esquerda,
porque trêmula, nervosa,
e grafe-me uma nova verdade.
.................................

V

Só e desprovido de ouro,
sobra-me o papel azul da maçã;
a madrugada jaza saltitante
e faz surgir-me à idéia alguns poemas cheios de medo
embevecidos pela lembrança d’outrora...
Ai... dos meus olhos duas lágrimas
pulam sobre os meus pés
sugerindo-me afluir
uma nova piração...
Afloração... Decerto os meus poemas
encharcam-se de zelo,
malbaratam fétidos sonhos abafados
e rebolam a nostalgia dos velhos benjaminzeiros
— nada mais!

Foto: Galeria de raumoberbayern
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2 comentários:

Silentiary _ Pérola _NãoSouEuéaOutra disse...

Caro Benny... vermelha como o fogo mais forte, ficou minha face quando viu a sua presença! Deixe-me dar os parabéns pela Layout do seu blog... Vibrante, como são as cores das suas poesias.
Essa fotografia - "peixe" éclair, podia ser "tubarão ou piranha", que de bom agrado à pele se encostaria, agora se para morder ou não - não sei - mas o seu poema devora-os. Poucos tubarões lhe fariam frente, Caro Benny!!!

Deste poema, ainda que a primavera da juventude dos olhos da sua menstruação do seu esperma estejam debruçados no ponto atrás, o verão há-de roubar aos velhos benjaminzeiros pedra filosofal mais perfeita!

Um abraço

Sylvia Narriman Barroso disse...

Benny, gostei muito dos seus poemas. Você tem muito talento. Tomo a liberdade de fazer uma pequena correção:
Haverão mais primaveras!
Haverão outras expiações...

O certo é: Haverá mais primaveras.
Haverá outras expiações.

No mais, seus poemas estão perfeitos. Grande beijo.