
1.
Olhe nos meus olhos!
As mesmices inumanas do sol dos fracos
empedram destinos.
Foices de verbos condenados
gritam suas dores
e cabeças mergulhadas nas fétidas evacuações,
porque em soluços, dão-se às lágrimas...
2.
...Olhe...Olhe nos meus olhos!
Um ímpeto pusilânime
desperta os ecos dos manos matagais.
Carne viva como o sexo das fogueiras
com imagens de fumaças
e torturas boçais.
3.
Olhe nos meus olhos!
Os lerdos cabelos que os velhos embranquecem,
murmuram partidas.
Homens cansados de sofrer
a distância exalam salientes mágoas
e renascem e partem em cada estômago vazio,
em cada garganta profunda
de uma viagem sem pouso...
4.
...Olhe... Olhe nos meus olhos!
O retropasso entrecruza-se na narrativa
e masturba a extrema solidão
esculpindo-a arqueando-lhe
a língua antes do vôo,
repousando-a no metal legítimo
das excitações da lauda.
5.
Agora uma boca fugitiva
se lhe mortifixa ao espinho.
Adormecerá no ventre entre vagalhões
anômalos de concretos
e orgasmos que a eivam
mas bem engendrada no vácuo:
estábulos de nódoas
como a vergonha em nossa expiação.
Foto: Ana Morkazel

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
