segunda-feira, julho 13, 2009

Versos de Poesia Minha

Roubam-se gentes.

Cristais se refletem no asfalto
e conjugam verbos de poesia minha
— a tropa
e os armamentos perfilam-se
no retropasso.

Regurgito
estampidos de revolveres,
bebo
o vago da aurora
e o condomínio do medo
fode a lonjura como se cresse,
ou mesmo manufaturasse velcro
de partida
levedado por sepulturas
de igrejas.

(Os homens
ainda continuam de fraudas
e alcançam o parapeito
da fome ao primeiro rejeito
da mama que corta a língua
à frente dos asteróides de fuligens pálidas,
à frente do pingo ácido
na relva,
à frente do salteador
que é rápido
à frente da polícia)

Tal como um herói
que não se trai
na antes-morte,
cruzo
aéreo
os arranha-céus de São Paulo:
é cinza-primavera
o lodo que os cobrem,
ou mesmo cru-inverno
os sorrisos sem graça
e deparo
a poesia perfurada à bala
de beiços tremidos
sobre os bueiros.

© Benny Franklin


Fotografia (...)
gentilmente cedida por "Ana Mokarzel".


Page copy protected against web site content infringement by Copyscape
Creative Commons License

3 comentários:

sidnei olívio disse...

Grande, Benny. Esse espaço é um dos melhores da web. Grande poesia, Grande Poeta!

Anônimo disse...

Uauuuuuuuuuuuu!

Um baita poeta se conhece pela poesia sempre atraente... Benny golpeia (porque seus poemas falam por s...) sem piedade o estomago do verbo.

Excelente!

Juracy Castro
Rio de Janeiro

Mai disse...

Uma poesia em agonia e os limites e ilimites do absurdo e do vazio.
sensacional e raro de se encontrar.
abraços, já morei 9 anos em Belém e lendo teus poemas, me fica a certeza de que há algo nessa terra que preserva ou se preservam matrizes, raízes e matizes de uma poesia com cheiro de terra funda.

maravilha.
abraços