
Despertai-vos, oh! loucos ventos
de cara!
Não mastigueis vós,
uns aos outros
como os desertos vos mastigam
a ferro — entesado.
Sim! Sim!
Desabrigai-vos
do meio dos
carnívoros templos
de ouro mortificado.
Argh! Desviai-vos
das lábias gordurosas do pedal
do instante.
Ai! Ai! Apartai-vos,
brochados redemoinhos!
Vós, olhos da tormenta,
representais o verbo ilícito,
a traição da mansidão,
o retropasso.
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Acerca de vós,
oh! gravetos de ventos, dir-me-ão:
— Soprá-los à doca surreal das lonjuras
no ensejo magistral do escarro
mareja a sesta da escrita
e sevicia o ato re-unido da lógica.
Lá fora, o sopro-guincho
mesmo subjugado fervilha
como dois hálitos coligados,
pois na ânsia de aliciar
um segredo anteposto,
esbarra na símile interrogação:
— Onde caminha o silêncio?
Ah! Pode-se vê-lo cruzar
pelo sêmen-mor do poema
enrijecido tal como a equação
que mobiliza sua volúpia.
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Oh tu, coche de brisa!
Aceitai o que as conchas de areias
purificam à vossa revelia.
— Tu que trafegas
vestida de prata em meio
à branquidão engravidada
dos álgidos oásis,
socorre-nos não somente para salvar
os nossos segredos,
mas para salvar as nossas
condolências secas,
já que deveríamos saber
que tudo está a ermo
ainda que alguns vermes estejam – como nós
em arranque de partida!
© Benny Franklin
Foto: Ana Morkazel

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