sábado, dezembro 13, 2008

Lumes sodomizados




Para essas noites grisalhas
com cara de Kalashnikov afeminada
ponho minha língua de fora
e permito-me a rebeldia...

A esses dias de hesitante vigor
com ânimo de mornas cenas de sexo oral
lanço meu bumerangue de palavrões
e permito-me a autofagia...

Oh! Inútil cobiça!
A ti e a tua sucessão
lançar-vos-ei dardos seminus
municiados com venenos e com aquela coisa roxa;
e, em ato continuo,
pôr-vos-ei num estendal de lumes sodomizados
para que suceda de não endurecer-me
ou permitir-vos escolher
a livre combustão...

Ai! Pudera eu ter na saliva
o levante da flecha!
Pudera eu transformar-me em luas descomunais
e não sentir a alma segredar-me feroz
ou isolar-me na compulsão do instante...

Pudera eu avivar na libido
o fruto que lhe convém!
Pudera eu esconder-me no debrum
da vergonha
e planar no ar-além...

Pudera eu varrer o esmolar de cada esquina!
Pudera agora,
em todos os olhares, não jazer
uma mão pedinte...

Lá fora, o arqueiro no cio
abandona
o silêncio
na retranca...

- Abusa e usa da fuga!

Aqui, silêncios e bocas
umedecem retropensamentos: malogram
mui-abortos de antes-vidas...

- Fodem-se à toa!
Recusam-se a mudar de asco.

© Benny Franklin

Foto: Ana Morkazel

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2 comentários:

Anônimo disse...

Sua verve é excepcional!

Grande poeta!

Abçs.

Felipe Canté

Olhos de Folha Minha disse...

ENALTEÇO TEU NOME, ÉS DIVINDADE,
DIVINO EM MEU PEITO.

AB BJUS
OS HF
CINTIA THOME