quinta-feira, dezembro 25, 2008

Loucos ventos de cara!


Despertai-vos, oh! loucos ventos
de cara!

Não mastigueis vós,
uns aos outros
como os desertos vos mastigam
a ferro — entesado.

Sim! Sim!
Desabrigai-vos
do meio dos
carnívoros templos
de ouro mortificado.

Argh! Desviai-vos
das lábias gordurosas do pedal
do instante.

Ai! Ai! Apartai-vos,
brochados redemoinhos!
Vós, olhos da tormenta,
representais o verbo ilícito,
a traição da mansidão,
o retropasso.
............................................

Acerca de vós,
oh! gravetos de ventos, dir-me-ão:

— Soprá-los à doca surreal das lonjuras
no ensejo magistral do escarro
mareja a sesta da escrita
e sevicia o ato re-unido da lógica.

Lá fora, o sopro-guincho
mesmo subjugado fervilha
como dois hálitos coligados,
pois na ânsia de aliciar
um segredo anteposto,
esbarra na símile interrogação:

— Onde caminha o silêncio?

Ah! Pode-se vê-lo cruzar
pelo sêmen-mor do poema
enrijecido tal como a equação
que mobiliza sua volúpia.
............................................

Oh tu, coche de brisa!

Aceitai o que as conchas de areias
purificam à vossa revelia.

— Tu que trafegas
vestida de prata em meio
à branquidão engravidada
dos álgidos oásis,
socorre-nos não somente para salvar
os nossos segredos,
mas para salvar as nossas
condolências secas,
já que deveríamos saber
que tudo está a ermo
ainda que alguns vermes estejam – como nós
em arranque de partida!

© Benny Franklin

Foto: Ana Morkazel

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sábado, dezembro 13, 2008

Lumes sodomizados




Para essas noites grisalhas
com cara de Kalashnikov afeminada
ponho minha língua de fora
e permito-me a rebeldia...

A esses dias de hesitante vigor
com ânimo de mornas cenas de sexo oral
lanço meu bumerangue de palavrões
e permito-me a autofagia...

Oh! Inútil cobiça!
A ti e a tua sucessão
lançar-vos-ei dardos seminus
municiados com venenos e com aquela coisa roxa;
e, em ato continuo,
pôr-vos-ei num estendal de lumes sodomizados
para que suceda de não endurecer-me
ou permitir-vos escolher
a livre combustão...

Ai! Pudera eu ter na saliva
o levante da flecha!
Pudera eu transformar-me em luas descomunais
e não sentir a alma segredar-me feroz
ou isolar-me na compulsão do instante...

Pudera eu avivar na libido
o fruto que lhe convém!
Pudera eu esconder-me no debrum
da vergonha
e planar no ar-além...

Pudera eu varrer o esmolar de cada esquina!
Pudera agora,
em todos os olhares, não jazer
uma mão pedinte...

Lá fora, o arqueiro no cio
abandona
o silêncio
na retranca...

- Abusa e usa da fuga!

Aqui, silêncios e bocas
umedecem retropensamentos: malogram
mui-abortos de antes-vidas...

- Fodem-se à toa!
Recusam-se a mudar de asco.

© Benny Franklin

Foto: Ana Morkazel

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