segunda-feira, maio 04, 2009

Ao fim das searas ondulantes!



O mestre disse: Não é grave se os homens não te conhecem, grave é se tu não os conheces.
(Confúcio)


I

Podo a voz inefável do silêncio
crivando de morte o rio em que a vida tropeça.
Assassino as rugas impregnadas de breves sorrisos
e louvo o semear do vento
(e ainda que seja na penumbra)
escalo o jirau na venta ao fim das searas ondulantes
e arroto o rugido inflor.

II

Rapte-me buraco negro!
Esmagando meu coração sangre-me lentamente
até que toda boca esteja alimentada
que nem espada em oração.

III

A folga da palavra
tosse em escapula para o mar.
Com minhas falas de prantos jejuados
isco um corpo só-casca.
Com meu próprio órgão de voo
cinjo o automóvel sob as sombras das árvores sobejadas
de estômagos e migalhas
e douro o sangue do asfalto multifacetado.
Com o verbo machista na prisão
delimito as armadilhas do muito lânguido
e faço do horizonte
arabesco.

IV

Libidos de mim
debaixo dos panos fartos
remexem as ancas na fazeção das palavras.
Desnudas as pupilas da apoteose de luz
no amplexo da manhã
esfumam
o fumo da chaminé,
mas disfarçam os blefes
com as mãos armadas.

V

Haverá armadilhas em meu redor?
Haverá alvorecer róseo
ou trajeto em meu corpo
que deflagram como sol maduro
corado de tanto amar ao longo
de duas primaveras?


VI

Cintilam lágrimas na brasa.
Nos covis da vida
um fogaréu
arde ao ritmo do aroma de cânfora.
Nádegas
de uma virgem mordendo a excitação
colhem uvas de uma justaposição
do signo vazio.

VII

Oh! Como antevi,
de suor em suor: as mãos-azeites vão olear
o colmo de um telhado no cio!
Como previ,
e como ao fim testemunho:
este meu vinho em dupla masturbação
embriagará vidas!

© Benny Franklin


Fotografia (Pecado)
gentilmente cedida por "Ana Mokarzel".


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4 comentários:

Compulsão Diária disse...

Horizontes em arabescos, o verbo preso, as libidos escorrendo pupilas prevendo o vazio. Aqui cheio de peosia.;)

Olhos de Folha Minha disse...

Bela imagem de Ana Mokarzel
Parabens a ela.

Olhos de Folha Minha disse...

Caro Benny

Somos enganados pelos nossos semelhantes, vagam como anjos, mas descem e nos caçam com sua lábia, nos lambe com o sal e nos devora. Um dos poemas mais lindos que li, apesar que todos os outros poetas ficam aplaudindo tal maestria, uma benção, pois vc com certeza tem 'algo' a falar ao Mundo

Olhos de Folha Minha disse...

Perdi um comentario mais longo, mas aí está o que devo falar como simples escrevinhadora...rs


Cintia Thomé

OS HF